Existe um limite seguro de consumo de ultraprocessados por dia? Estudo responde

Ultraprocessados elevam risco para o coração. (Foto: Lazartivan via Canva)
Ultraprocessados elevam risco para o coração. (Foto: Lazartivan via Canva)

Os alimentos ultraprocessados fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Estão no café da manhã, no lanche rápido e até nas refeições principais. Mas, existe um limite seguro de consumo por dia?

Um estudo recente publicado na revista científica Journal of the American College of Cardiology, conduzido por Amier Haidar e divulgado em março de 2026, ajuda a esclarecer essa questão. E a resposta pode não ser exatamente o que muita gente espera.

Não existe um número “seguro” exato

Diferente do que acontece com alguns nutrientes, não há um número específico de porções de ultraprocessados considerado totalmente seguro.

O que os pesquisadores encontraram foi uma relação clara: quanto maior o consumo, maior o risco.

Segundo o estudo, cada porção diária adicional de alimentos ultraprocessados aumenta em cerca de 5% o risco de doença cardiovascular aterosclerótica. Ou seja, o impacto é progressivo e acumulativo.

Isso significa que não existe um “ponto de corte” totalmente seguro, mas sim um aumento gradual do risco conforme o consumo cresce.

O que são, na prática, os ultraprocessados

Cada porção extra aumenta risco cardiovascular. (Foto: Pexels via Canva)
Cada porção extra aumenta risco cardiovascular. (Foto: Pexels via Canva)

Os ultraprocessados são alimentos que passam por várias etapas industriais e costumam conter ingredientes artificiais ou pouco comuns em uma cozinha doméstica.

Além disso, geralmente apresentam:

  • Alto teor de açúcar adicionado
  • Excesso de sódio
  • Presença de gorduras saturadas e trans
  • Baixo valor nutricional

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Refrigerantes e bebidas açucaradas
  • Biscoitos recheados e doces industrializados
  • Embutidos como salsicha e bacon
  • Pratos prontos e congelados

Por que o consumo preocupa tanto?

O problema não está apenas em consumir esses alimentos ocasionalmente, mas sim na frequência.

Hoje, grande parte das calorias diárias vem de ultraprocessados, o que está associado a um aumento no risco de:

  • Doenças cardiovasculares
  • Obesidade
  • Diabetes tipo 2
  • Alguns tipos de câncer

Além disso, certos grupos merecem ainda mais atenção, especialmente:

  • Bebidas açucaradas
  • Produtos de origem animal ultraprocessados, como embutidos

Esses itens apresentam as evidências mais consistentes de impacto negativo na saúde.

Então, como consumir com equilíbrio?

A boa notícia é que você não precisa eliminar totalmente os ultraprocessados da sua rotina. O ponto central é a forma como eles entram na sua alimentação.

Algumas orientações práticas ajudam bastante:

  • Priorize alimentos naturais ou minimamente processados no dia a dia
  • Use ultraprocessados de forma ocasional, não como base da dieta
  • Reduza principalmente refrigerantes e embutidos
  • Faça pequenas trocas, como substituir lanches industrializados por opções simples

Essas mudanças, quando feitas com frequência, podem reduzir significativamente os riscos para a saúde.

Por isso, a melhor estratégia não é buscar um número exato, mas sim reduzir o consumo e priorizar alimentos de verdade no dia a dia.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn