PFAS são associados ao envelhecimento mais rápido em homens de 50 a 64 anos

Químicos comuns associados ao envelhecimento masculino. (Foto: Getty Images via Canva)
Químicos comuns associados ao envelhecimento masculino. (Foto: Getty Images via Canva)

O envelhecimento é um processo natural, mas fatores externos podem influenciar sua velocidade. Uma nova pesquisa sugere que substâncias químicas muito presentes no cotidiano podem ter um papel inesperado nesse processo.

Publicado na revista científica Frontiers in Aging (2026), com autoria principal de Ya-Qian Xu e equipe, o estudo analisou a relação entre PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, e o envelhecimento biológico em adultos dos Estados Unidos. Os resultados levantam preocupações importantes sobre como a exposição ambiental pode afetar o corpo humano ao longo do tempo.

O que são os “químicos eternos” e por que eles preocupam

Os PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas) são compostos sintéticos usados há décadas em diversos produtos do dia a dia, como:

  • panelas antiaderentes
  • embalagens de alimentos
  • tecidos impermeáveis
  • produtos de limpeza

Eles recebem o apelido de “químicos eternos” porque possuem ligações químicas muito fortes, o que dificulta sua decomposição. Por isso, acabam permanecendo no meio ambiente e no organismo humano por longos períodos.

O que o estudo investigou

Os pesquisadores analisaram dados de 326 adultos dos Estados Unidos, coletados na Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES 1999–2000).

Foram avaliados:

  • níveis de 11 tipos de PFAS no sangue
  • marcadores de idade biológica
  • alterações epigenéticas associadas ao envelhecimento

Entre os compostos analisados, dois chamaram atenção:

  • PFNA (ácido perfluorononanoico)
  • PFOSA (perfluorooctanossulfonamida)

Essas substâncias apareceram em cerca de 95% dos participantes.

Envelhecimento acelerado em um grupo específico

Panelas antiaderentes podem liberar PFAS no uso diário. (Foto: Alfred Evelina via Canva)
Panelas antiaderentes podem liberar PFAS no uso diário. (Foto: Alfred Evelina via Canva)

Os resultados mostraram um padrão importante: homens entre 50 e 64 anos com maiores níveis de PFNA e PFOSA apresentaram sinais de envelhecimento biológico mais acelerado.

Em contraste:

  • mulheres não apresentaram a mesma associação
  • outros PFAS tradicionais não mostraram efeito semelhante

Isso indica que o impacto depende do tipo de substância e também de fatores biológicos e comportamentais.

Por que o efeito aparece mais em homens?

Os pesquisadores sugerem que a meia-idade é uma fase biologicamente sensível, em que o organismo se torna mais vulnerável a estressores ambientais.

Além disso, hábitos de vida e fatores como tabagismo podem potencializar os efeitos dessas substâncias no organismo masculino.

Riscos e preocupações ambientais

O estudo reforça uma preocupação crescente: mesmo novos compostos usados como alternativas aos PFAS tradicionais podem não ser necessariamente mais seguros.

Isso levanta pontos importantes:

  • presença constante no ambiente
  • exposição por alimentos e embalagens
  • acúmulo progressivo no organismo

O que pode ser feito para reduzir a exposição

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o contato com esses compostos:

  • evitar aquecer alimentos em embalagens descartáveis
  • reduzir consumo de ultraprocessados
  • preferir alimentos frescos
  • evitar contato excessivo com materiais impermeabilizados

Embora mais estudos sejam necessários, os resultados destacam que o envelhecimento não depende apenas da genética, mas também do ambiente químico ao nosso redor.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn