Cientistas indicam horário ideal para beber café e proteger o coração

Café no horário certo melhora a saúde do coração. (Foto: Ionut Dabija's Images via Canva)
Café no horário certo melhora a saúde do coração. (Foto: Ionut Dabija's Images via Canva)

O café faz parte da rotina de milhões de pessoas, mas um detalhe pouco observado pode fazer toda a diferença para a saúde: o horário de consumo. Um estudo recente publicado no European Heart Journal por Xuan Wang et al., em fevereiro de 2025, trouxe uma descoberta surpreendente: beber café pela manhã pode estar associado a menor risco de morte, especialmente por doenças cardiovasculares.

A seguir, entenda o que a ciência descobriu e por que o seu hábito diário pode precisar de ajustes.

Dois padrões de consumo que mudam tudo

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 40 mil adultos acompanhados por quase uma década. A partir disso, identificaram dois padrões principais:

  • Padrão matinal: consumo concentrado entre 4h e 11h59
  • Padrão ao longo do dia: consumo distribuído entre manhã, tarde e noite

Além disso, quase metade dos participantes não consumia café.

A diferença entre esses grupos foi marcante quando os cientistas avaliaram os desfechos de saúde.

Café de manhã e menor risco de mortalidade

Os resultados mostraram que o consumo de café pela manhã esteve associado a:

  • 16% menor risco de morte por todas as causas
  • 31% menor risco de morte por doenças cardiovasculares

Essas associações permaneceram mesmo após ajustes rigorosos, incluindo fatores como sono, dieta, tabagismo e atividade física.

Por outro lado, quem consumia café ao longo do dia não apresentou redução significativa no risco de mortalidade.

Quantidade importa, mas o horário potencializa

Outro achado importante do estudo foi a interação entre quantidade e horário. Entre os que bebiam café pela manhã:

  • Consumir 1 a 3 xícaras por dia já estava ligado a benefícios
  • Mesmo o consumo mais elevado também mostrou associação com menor risco

No entanto, esse efeito não foi observado em quem distribuía o consumo ao longo do dia.

Ou seja, não é só o quanto você bebe, mas quando você bebe.

Ritmo biológico pode explicar os resultados

Café tardio pode afetar melatonina e sono. (Foto: Pixelshot via Canva)
Café tardio pode afetar melatonina e sono. (Foto: Pixelshot via Canva)

Os cientistas apontam que o impacto do horário pode estar ligado ao ritmo circadiano, que regula funções do organismo ao longo do dia.

Entre os possíveis mecanismos:

  • Interferência na melatonina: café à tarde ou à noite pode reduzir a produção desse hormônio essencial para o sono
  • Inflamação e metabolismo: o organismo responde melhor a compostos do café pela manhã, quando marcadores inflamatórios estão mais elevados
  • Qualidade do sono: consumo tardio pode prejudicar o descanso, afetando a saúde cardiovascular

Esses fatores ajudam a explicar por que o mesmo café pode ter efeitos diferentes dependendo do horário.

Embora o café já seja amplamente associado a benefícios como menor risco de diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, este estudo reforça uma nova perspectiva: o contexto do consumo importa.

Segundo a pesquisa publicada no European Heart Journal, o horário pode ser um fator-chave para potencializar os efeitos positivos da bebida.

O que considerar antes de mudar seus hábitos

Apesar dos resultados promissores, é importante lembrar:

  • O estudo é observacional, não prova causa e efeito
  • Há possibilidade de influência de estilo de vida geral
  • Fatores individuais, como metabolismo e rotina, também interferem

Ainda assim, os dados indicam um caminho interessante para hábitos mais saudáveis.

Portanto, se você costuma tomar café ao longo do dia, pode valer a pena testar uma mudança simples:

Concentre o consumo no período da manhã

Essa estratégia pode alinhar melhor o consumo com o funcionamento natural do corpo e, potencialmente, trazer benefícios adicionais à saúde.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn