Hipertensão não é só de idosos e já preocupa mulheres entre 25 e 44 anos

Doença cardíaca avança em mulheres jovens. (Foto: Getty Images via Canva)
Doença cardíaca avança em mulheres jovens. (Foto: Getty Images via Canva)

A ideia de que doenças cardiovasculares afetam principalmente pessoas mais velhas está sendo rapidamente desconstruída. Um novo levantamento apresentado nas Sessões Científicas de 2026 do American College of Cardiology, liderado por Alexandra Millhuff, mostra um cenário preocupante: as mortes por doença cardíaca relacionada à hipertensão entre mulheres de 25 a 44 anos cresceram mais de quatro vezes entre 1999 e 2023.

Esse dado chama atenção não apenas pelo aumento expressivo, mas também por atingir um grupo historicamente considerado de baixo risco.

Um problema silencioso que cresce

A pressão alta geralmente não dá sintomas perceptíveis. Muitas vezes, não apresenta sintomas evidentes, mas causa um impacto profundo no organismo. Com o tempo, a pressão elevada força o coração a trabalhar mais, favorecendo o desgaste do músculo cardíaco e aumentando o risco de complicações graves.

Os dados analisados a partir do banco WONDER do CDC indicam que a taxa de mortalidade subiu de 1,1 para 4,8 por 100 mil mulheres jovens ao longo de pouco mais de duas décadas. Embora ainda seja menor que em idosos, o crescimento acelerado acende um sinal de alerta.

O que está por trás dessa mudança

Diversos fatores ajudam a explicar essa tendência. Por um lado, há uma melhora na identificação e registro das causas de morte, o que pode contribuir para o aumento aparente dos números. Por outro, mudanças no estilo de vida desempenham papel central.

Entre os principais fatores envolvidos, destacam-se:

  • Aumento da obesidade e síndrome metabólica
  • Rotina sedentária
  • Alimentação rica em sal e ultraprocessados
  • Privação de sono e estresse crônico

Um estudo publicado em 2022 já indicava crescimento nas mortes por doenças cardiovasculares associadas à hipertensão entre adultos de meia-idade, reforçando que o problema vem se ampliando em diferentes faixas etárias.

Além disso, dados da Gallup de 2024 mostram que mulheres jovens relatam níveis mais altos de estresse e pior qualidade de sono, fatores diretamente ligados ao aumento da pressão arterial.

Riscos específicos das mulheres jovens

Outro ponto importante é que mulheres nessa fase da vida enfrentam fatores de risco próprios, muitas vezes negligenciados.

Entre eles:

  • Complicações hipertensivas na gravidez, que aumentam o risco futuro
  • Uso de contraceptivos hormonais com estrogênio, que pode elevar a pressão em alguns casos
  • Menor acompanhamento preventivo por acreditarem estar fora do grupo de risco

Esses elementos reforçam a necessidade de uma abordagem mais personalizada na saúde feminina.

O que pode ser feito para prevenir

Apesar do cenário preocupante, há estratégias eficazes para reduzir o risco. A prevenção continua sendo a principal ferramenta.

Entre as medidas mais recomendadas estão:

  • Manter uma alimentação equilibrada, como dieta mediterrânea ou DASH
  • Praticar atividade física regularmente
  • Monitorar a pressão arterial com frequência
  • Priorizar sono de qualidade
  • Reduzir o estresse no dia a dia

Pequenas mudanças consistentes podem ter grande impacto na saúde cardiovascular ao longo do tempo.

Por que esse alerta não deve ser ignorado

Mesmo sendo menos comum em jovens, o aumento acelerado das mortes por hipertensão mostra que a idade não é mais um fator de proteção isolado. O reconhecimento precoce dos riscos é essencial para evitar complicações futuras.

Diante disso, cresce a importância de ampliar a conscientização e incentivar hábitos saudáveis desde cedo, especialmente entre mulheres que muitas vezes não se percebem vulneráveis a esse tipo de doença.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn