Infecção por Covid ainda causa danos por anos, alerta estudo

Efeitos da Covid vão além da fase aguda. (Foto: Getty Images via Canva)
Efeitos da Covid vão além da fase aguda. (Foto: Getty Images via Canva)

Embora muita gente já encare a Covid-19 como algo superado, as evidências científicas indicam que seus impactos ainda persistem. Ao mesmo tempo em que autoridades sanitárias atualizam as vacinas para acompanhar novas variantes, estudos recentes revelam que o vírus pode deixar sequelas prolongadas por até dois anos após a infecção.

Essa combinação de fatores reforça um ponto essencial: a pandemia pode ter diminuído em intensidade, mas o impacto do SARS-CoV-2 continua relevante para a saúde pública.

Vacinas atualizadas: por que isso continua necessário

A recente decisão de atualizar as vacinas contra Covid-19, exigindo imunizantes monovalentes com a cepa LP.8.1, reflete a constante evolução do vírus. Isso acontece porque o coronavírus sofre mutações frequentes, especialmente na proteína spike, que é o principal alvo das vacinas.

Quando essas mudanças ocorrem, o sistema imunológico pode ter mais dificuldade de reconhecer o vírus com base em versões anteriores. No entanto, é importante destacar que a proteção contra formas graves da doença continua sendo mantida.

Na prática, a atualização da vacina tem como objetivo:

  • Melhorar a proteção contra variantes recentes
  • Reduzir o risco de infecção
  • Diminuir complicações e hospitalizações

Além disso, a estratégia atual é focada em doses de reforço, principalmente para grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

O que acontece no corpo após a infecção

Sequelas persistem mesmo após casos leves. (Foto: Dimaberlinphotos via Canva)
Sequelas persistem mesmo após casos leves. (Foto: Dimaberlinphotos via Canva)

Mesmo após a fase aguda da doença, o organismo pode continuar sofrendo impactos. Esse quadro é conhecido como sequelas pós-agudas da Covid-19, também chamadas de PASC.

Um estudo publicado na revista Nature Medicine, liderado por Al-Aly et al. (2023), analisou mais de 138 mil pessoas infectadas e acompanhou seus efeitos por dois anos. Os resultados mostram que, embora muitos sintomas diminuam com o tempo, uma parcela significativa dos pacientes continua apresentando problemas de saúde.

Entre os principais sistemas afetados estão:

  • Sistema cardiovascular, com aumento de risco de doenças cardíacas
  • Sistema neurológico, incluindo alterações cognitivas
  • Saúde mental afetada, com crescimento de ansiedade e depressão
  • Sistema respiratório, com sintomas persistentes
  • Metabolismo, com maior risco de diabetes

O impacto invisível que persiste por anos

Os dados mostram que o impacto da Covid vai além dos sintomas iniciais. Mesmo após dois anos, cerca de 60% das sequelas analisadas ainda apresentavam risco elevado em comparação com pessoas não infectadas.

Além disso, a carga total de doença foi medida em anos de vida ajustados por incapacidade, indicando que a Covid pode comprometer significativamente a qualidade de vida a longo prazo.

Outro ponto importante é que os riscos são mais elevados em pessoas que foram hospitalizadas, mas não se limitam a casos graves. Mesmo indivíduos com quadros leves podem apresentar efeitos persistentes.

Por que a vacinação continua sendo essencial

Diante desse cenário, a vacinação ganha ainda mais importância. Reduzir o risco de infecção não significa apenas evitar sintomas imediatos, mas também prevenir complicações de longo prazo.

Entre os principais benefícios da vacinação atualizada estão:

  • Menor risco de hospitalização
  • Redução da gravidade da doença
  • Possível diminuição do risco de sequelas prolongadas

Além disso, manter a imunização em dia contribui para reduzir a circulação do vírus e o surgimento de novas variantes.

Um novo olhar sobre a Covid-19

Os dados mais recentes indicam que a Covid-19 deve ser encarada como uma doença com potencial de impacto crônico, e não apenas uma infecção aguda. Por isso, estratégias de saúde pública precisam considerar tanto a prevenção quanto o acompanhamento de pacientes no longo prazo.

O estudo reforça que o desafio atual não é apenas controlar a transmissão, mas também lidar com as consequências duradouras da infecção.

Assim, acompanhar o calendário de vacinação e estar atento aos sinais do corpo continua sendo fundamental para proteger a saúde no presente e no futuro.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn