Hormônio ósseo pode “desligar” dor nas costas, aponta estudo

Hormônio pode reduzir dor nas costas na origem. (Foto: Pixelshot via Canva)
Hormônio pode reduzir dor nas costas na origem. (Foto: Pixelshot via Canva)

A dor lombar é uma das condições mais comuns no mundo e pode comprometer desde atividades simples até a qualidade do sono. Em muitos casos, o problema se torna crônico e difícil de tratar, especialmente quando não há uma causa estrutural evidente.

Agora, um estudo publicado na revista Bone Research, conduzido por Weixin Zhang et al., 2026, traz uma nova perspectiva. A pesquisa indica que um hormônio natural do corpo pode atuar diretamente na origem da dor, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes.

O papel do hormônio da paratireoide na dor

O destaque do estudo é o hormônio da paratireoide (PTH), conhecido por sua função na regulação do cálcio e na saúde dos ossos. No entanto, os cientistas descobriram que ele também pode influenciar a forma como o corpo percebe a dor.

Durante a degeneração da coluna, fibras nervosas associadas à dor podem crescer em regiões onde normalmente não estariam. Esse processo aumenta a sensibilidade e contribui para a dor crônica.

O PTH, segundo a pesquisa, atua reduzindo esse crescimento anormal de nervos, o que ajuda a diminuir o desconforto.

Como o estudo foi realizado

Proteína pode impedir crescimento de nervos da dor. (Foto: Africa Images via Canva)
Proteína pode impedir crescimento de nervos da dor. (Foto: Africa Images via Canva)

A investigação utilizou modelos experimentais que simulam diferentes formas de desgaste da coluna, como envelhecimento, alterações mecânicas e predisposição genética.

Após o tratamento com o hormônio, os resultados mostraram:

  • Melhora na estrutura das vértebras
  • Redução da sensibilidade à dor
  • Maior tolerância a estímulos como pressão e calor
  • Aumento da mobilidade dos animais estudados

Esses achados reforçam a ideia de que o tratamento não atua apenas no sintoma, mas também na causa do problema.

A proteína que “afasta” a dor

Um dos pontos mais inovadores do estudo envolve a descoberta de um mecanismo específico. O PTH estimula células ósseas a produzirem uma proteína chamada Slit3.

Essa substância funciona como um sinal que impede o avanço das fibras nervosas para áreas sensíveis da coluna. Com isso, há menos estímulo de dor sendo transmitido ao cérebro.

Além disso, a pesquisa identificou a participação de outra proteína reguladora, que ajuda a ativar esse processo, mostrando que o efeito é resultado de uma complexa interação biológica.

Perspectivas para o futuro

Embora os testes ainda tenham sido realizados em modelos animais, os resultados ajudam a explicar por que alguns tratamentos já utilizados na osteoporose podem aliviar a dor lombar.

Se confirmado em humanos, esse mecanismo pode abrir novas possibilidades terapêuticas, com foco em:

  • Reduzir a dor na origem
  • Evitar o uso prolongado de analgésicos
  • Melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Além disso, a abordagem pode ser adaptada para outras condições relacionadas à dor crônica.

A descoberta de que um hormônio pode interferir diretamente no crescimento de nervos ligados à dor representa um avanço importante na compreensão da dor lombar.

Mais do que aliviar sintomas, essa estratégia tem potencial para atuar na causa do problema. Com novos estudos, a expectativa é que esse conhecimento contribua para tratamentos mais eficazes e duradouros.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn