Biorressonância quântica: entenda a técnica polêmica e seu risco à saúde

Biorressonância quântica não tem comprovação científica. (Foto: Getty Images via Canva)
Biorressonância quântica não tem comprovação científica. (Foto: Getty Images via Canva)

Nos últimos anos, uma prática chamada biorressonância quântica ganhou atenção em algumas regiões do Brasil, prometendo avaliar a saúde e diagnosticar doenças antes mesmo do aparecimento de sintomas. Apesar da divulgação, não há comprovação científica de que a técnica funcione. Equipamentos que realizam essa análise utilizam circuitos elétricos e alegam modificar as “vibrações eletromagnéticas” das células, conceito sem base na biologia ou medicina reconhecida.

Recentemente, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul proibiu a divulgação e a realização do método, classificando-o como risco à saúde pública, devido ao potencial de afastar pacientes de tratamentos médicos adequados. A decisão foi baseada na Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013), que reserva a determinação de diagnóstico de doenças a médicos legalmente habilitados.

Histórico e promessas da técnica

Criada na Alemanha em 1977, a biorressonância quântica se popularizou entre naturopatas e clínicas alternativas. Entre suas promessas estão:

  • Diagnóstico precoce de doenças
  • Avaliação do estado geral de saúde
  • Tratamento de enfermidades através da “correção das vibrações”

No entanto, conselhos de medicina de diferentes estados, como Minas Gerais e Ceará, classificam a prática como pseudociência, pois não há dados confiáveis que comprovem sua eficácia. Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece o método como válido para diagnóstico ou tratamento.

Equipamentos sem registro e riscos legais

Equipamentos vendidos chegam a R$ 6.000 sem registro na Anvisa. (Foto: Getty Images via Canva)
Equipamentos vendidos chegam a R$ 6.000 sem registro na Anvisa. (Foto: Getty Images via Canva)

No Brasil, toda tecnologia de saúde precisa ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de ser comercializada. A biorressonância quântica não possui registro, embora aparelhos sejam vendidos por valores entre R$ 250 e R$ 6.000. Em 2022, a prefeitura de Três Palmeiras (RS) comprou um equipamento por R$ 8.390, demonstrando o interesse público na técnica.

O Código de Ética Médica também veda o uso de métodos sem reconhecimento científico, reforçando que o diagnóstico e tratamento de doenças são atividades privativas de médicos. O uso de técnicas não validadas pode induzir o paciente a erro e atrasar intervenções eficazes.

Por que a prática é considerada perigosa?

Segundo a decisão da Justiça Federal, a divulgação e oferta de exames para diagnóstico sem comprovação científica configura exercício irregular da medicina. Entre os riscos identificados estão:

  • Afastamento de tratamentos comprovados
  • Indução de erro sobre o estado real de saúde
  • Perigo para a saúde pública devido à demora em buscar assistência adequada

A liminar determina multa diária para qualquer divulgação ou execução do método, destacando que a medida visa proteger a população.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn