Mulheres sofrem mais com doenças autoimunes: entenda os motivos

Hormônios influenciam a imunidade feminina. (Foto: Africa Images via Canva)
Hormônios influenciam a imunidade feminina. (Foto: Africa Images via Canva)

Você já percebeu que mulheres parecem sofrer mais com doenças autoimunes e dores persistentes do que os homens? Pesquisas recentes indicam que não é coincidência. Um estudo de Yu Rin Kim et al., 2025, International Journal of Molecular Sciences revela que uma combinação de hormônios, genética e fatores ambientais faz com que o corpo feminino reaja de forma intensa, protegendo contra infecções, mas também aumentando o risco de atacar a si mesmo.

Entender esses fatores ajuda a explicar por que condições como lúpus e artrite reumatoide afetam mais mulheres e, muitas vezes, com sintomas mais graves.

Sistema imunológico ativo… e vulnerável

O sistema imunológico feminino é mais vigilante e reativo, o que ajuda a combater infecções e vírus de forma eficiente. Mas essa mesma atenção extra pode gerar efeitos indesejados: o corpo passa a reagir contra tecidos saudáveis, provocando doenças autoimunes.

Principais consequências:

  • Células imunes mais ativas: atacam tecidos saudáveis por engano
  • Inflamação intensa: substâncias como interferons e citocinas aumentam a resposta imunológica
  • Formação de autoanticorpos: proteínas que atacam órgãos e tecidos, agravando doenças

Essa combinação explica por que mulheres têm maior incidência e sintomas mais graves de doenças autoimunes.

Hormônios que ajudam… mas também complicam

Os hormônios sexuais influenciam diretamente a imunidade, explicando parte dessa vulnerabilidade:

  • Estrogênio: aumenta a atividade das células imunes e intensifica a produção de moléculas inflamatórias
  • Progesterona: ajuda a controlar a inflamação, especialmente durante a gravidez
  • Andrógenos (presentes em maior quantidade nos homens): reduzem a ativação do sistema imune e promovem tolerância

Ou seja, os hormônios femininos são uma espada de dois gumes: ajudam a proteger contra infecções, mas podem favorecer a autoimunidade, aumentando a frequência e a gravidade das doenças.

Genes e cromossomo X

A genética feminina também desempenha um papel importante:

  • Mulheres têm dois cromossomos X, que aumentam a produção de genes ligados à imunidade
  • Essa característica fortalece a defesa, mas também eleva a chance de o corpo atacar a si mesmo

Além disso, modificações epigenéticas induzidas pelos hormônios mudam a expressão de genes inflamatórios, tornando as mulheres ainda mais vulneráveis a doenças autoimunes.

Ambiente e hábitos de vida influenciam

Não é só biologia: fatores externos também fazem diferença. O estudo aponta que elementos do dia a dia podem disparar ou piorar a inflamação, especialmente no corpo feminino:

  • Infecções recorrentes
  • Alterações na microbiota intestinal
  • Exposição a poluentes e químicos
  • Dieta desequilibrada, tabagismo e álcool
  • Radiação solar e alterações no ritmo de sono

Esses fatores interagem com hormônios e genes, criando um ciclo que aumenta a vulnerabilidade feminina.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn