Ludopatia é considerada doença pela OMS e cresce no Brasil; entenda o transtorno

Ludopatia é transtorno reconhecido pela OMS. (Foto: Getty Images via Canva)
Ludopatia é transtorno reconhecido pela OMS. (Foto: Getty Images via Canva)

O que começa como entretenimento pode rapidamente se transformar em um problema sério de saúde mental. Em meio à popularização dos jogos online e apostas virtuais, cresce no Brasil o número de pessoas afetadas pela ludopatia, um transtorno caracterizado pelo comportamento compulsivo de apostar, mesmo diante de prejuízos evidentes.

Esse cenário acende um alerta importante, já que o vício pode comprometer não apenas a vida financeira, mas também o equilíbrio emocional e as relações pessoais.

O ponto em que o jogo deixa de ser entretenimento

A ludopatia é reconhecida como um transtorno pela Organização Mundial da Saúde e classificada no Brasil pelo código CID F63.0. Trata-se de uma condição semelhante a outras dependências, como o alcoolismo, na qual o indivíduo perde o controle sobre o comportamento.

Com o avanço das plataformas digitais, o acesso às apostas se tornou mais fácil e constante. Como resultado, o hábito de jogar pode evoluir rapidamente para um padrão compulsivo.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Necessidade crescente de apostar valores maiores
  • Dificuldade em interromper o comportamento
  • Tentativas repetidas e frustradas de parar
  • Comprometimento financeiro
  • Impacto negativo nas relações pessoais

O papel do cérebro na dependência

Apostas podem evoluir para comportamento compulsivo. (Foto: Getty Images via Canva)
Apostas podem evoluir para comportamento compulsivo. (Foto: Getty Images via Canva)

Um dos fatores que explicam a força desse vício está na atuação da dopamina, um neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa.

Durante as apostas, o cérebro libera dopamina, reforçando o comportamento. Com o tempo, esse mecanismo cria um ciclo repetitivo, no qual o indivíduo busca constantemente novas apostas para obter a mesma sensação.

Esse processo é semelhante ao observado em outras dependências, o que torna a ludopatia uma condição complexa e de difícil controle sem ajuda especializada.

Impactos que vão além do financeiro

Embora as perdas financeiras sejam um dos efeitos mais visíveis, o impacto da ludopatia vai muito além disso. O transtorno pode levar a:

  • Endividamento e perda de bens pessoais
  • Ansiedade e estresse constantes
  • Conflitos familiares
  • Isolamento social

Em casos mais graves, a compulsão pode comprometer a saúde mental de forma significativa, exigindo intervenção profissional.

Crescimento dos casos acende alerta

Dados recentes indicam um aumento relevante nos atendimentos relacionados ao vício em jogos no Brasil. Esse crescimento acompanha a expansão das plataformas digitais e a facilidade de acesso às apostas.

Diante desse cenário, torna-se essencial ampliar a conscientização sobre os riscos e incentivar a busca por ajuda.

Caminhos para tratamento e controle

O tratamento da ludopatia envolve abordagens multidisciplinares, com foco no comportamento e na saúde mental. Entre as estratégias mais eficazes estão:

  • Terapia psicológica, especialmente abordagens comportamentais
  • Participação em grupos de apoio
  • Acompanhamento especializado contínuo

Essas intervenções ajudam a interromper o ciclo de dependência e a reconstruir hábitos saudáveis.

Medidas para conter o avanço das apostas

Com o objetivo de reduzir os riscos associados ao crescimento das apostas online, o Brasil implementou a Lei nº 14.790/2023, que estabelece regras para o funcionamento dessas plataformas.

Entre as principais medidas estão:

  • Limites para depósitos
  • Ferramentas de autoexclusão
  • Exigência de regulamentação e supervisão no país

Essas ações buscam proteger os usuários e reduzir os impactos negativos do vício.

A ludopatia é um problema crescente que exige atenção tanto da sociedade quanto das autoridades. Embora o acesso aos jogos tenha se tornado mais simples, os riscos associados também aumentaram.

Reconhecer os sinais e buscar ajuda são passos fundamentais para evitar consequências mais graves. Afinal, o que começa como diversão pode evoluir para um transtorno que afeta profundamente a vida de quem joga.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn