Uma nova pesquisa publicada na revista Hepatology em 2025 trouxe à luz uma descoberta surpreendente sobre a doença hepática gordurosa relacionada ao metabolismo, anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica. Cientistas do Mayo Clinic Center for Individualized Medicine identificaram uma mutação rara no gene MET capaz de causar diretamente essa condição, mudando a forma como entendemos sua origem.
Tradicionalmente, acreditava-se que a doença resultava de uma combinação de fatores genéticos e estilo de vida, mas o estudo demonstra que, em alguns casos, uma única alteração genética pode ser suficiente para iniciar o processo de acúmulo de gordura no fígado.
O papel crítico do gene MET na saúde do fígado
O gene MET desempenha função essencial na reparação hepática e no processamento de lipídios. Quando seu funcionamento é comprometido, ocorre acúmulo de gordura nas células do fígado, o que provoca inflamação. Com o tempo, essa inflamação pode evoluir para fibrose e cirrose, aumentando o risco de câncer de fígado.
Entre os adultos, aproximadamente um terço da população mundial apresenta algum grau dessa doença. A forma mais severa, conhecida como esteato-hepatite metabólica, está prevista para se tornar a principal causa de transplantes hepáticos no futuro próximo.
Estudo familiar desvenda a mutação

A descoberta começou com a análise de uma família em que mãe e filha apresentavam esteato-hepatite metabólica, mesmo sem fatores comuns como diabetes ou colesterol alto. Ao investigar mais de 20 mil genes, os pesquisadores identificaram uma pequena alteração no gene MET que interrompia a capacidade do fígado de processar gordura corretamente.
Essa mutação genética é inédita e não constava em bases públicas de dados genéticos, revelando como doenças raras podem estar “escondidas” em distúrbios mais comuns.
Confirmação em estudo populacional amplo
Para avaliar se a mutação ocorria em outros pacientes, a equipe analisou dados do estudo Tapestry, que inclui o sequenciamento do exoma de mais de 100 mil pessoas. Entre quase 4 mil adultos com doença hepática gordurosa, 1% apresentava variantes raras no gene MET, e cerca de 18% dessas variantes afetavam a mesma região crítica identificada inicialmente.
Esses achados sugerem que a mutação descoberta pode afetar centenas de milhares, ou até milhões de pessoas em todo o mundo, reforçando a importância de dados genômicos em larga escala para identificar fatores genéticos ocultos.
Genômica de precisão como aliada na medicina
O estudo ressalta a relevância da medicina genômica personalizada no diagnóstico de doenças complexas. Desde 2019, o programa para doenças raras do Mayo Clinic oferece testes genéticos abrangentes a milhares de pacientes, auxiliando na identificação de causas pouco conhecidas e permitindo o desenvolvimento de terapias mais direcionadas.
As futuras pesquisas poderão utilizar essas descobertas para melhorar diagnósticos, tratamentos personalizados e estratégias de prevenção para pacientes com risco de complicações hepáticas graves.
Principais aprendizados
- Uma mutação rara no gene MET pode causar diretamente doença hepática gordurosa
- A descoberta muda a percepção sobre fatores de risco tradicionais
- Estudos genômicos amplos permitem identificar variantes ocultas em doenças comuns
- A medicina personalizada abre caminhos para tratamentos direcionados e precisos

