Começar aulas mais tarde melhora sono, saúde e desempenho dos adolescentes

Sono adequado está ligado a melhor desempenho escolar. (Foto: Pexels via Canva)
Sono adequado está ligado a melhor desempenho escolar. (Foto: Pexels via Canva)

Adolescentes frequentemente enfrentam dificuldades para dormir cedo, e isso torna as manhãs escolares um desafio. Durante a puberdade, o relógio biológico do corpo sofre um atraso natural, fazendo com que eles fiquem alertas até mais tarde. Essa diferença entre o ritmo interno e o horário das aulas contribui para a privação crônica de sono, que impacta a saúde mental, física e o aprendizado.

Ao longo da semana, a falta de sono se acumula, provocando cansaço constante, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar.

Horários flexíveis: adaptando a escola ao ritmo biológico

Pesquisadores da Universidade de Zurique estudaram um modelo de horários flexíveis na Escola Secundária de Gossau, Suíça. Neste sistema, os alunos podem escolher iniciar o dia às 7h30 ou às 8h30, além de participar de módulos opcionais durante o meio-dia ou à tarde.

O estudo analisou 754 estudantes de 14 anos antes e após a implementação do novo modelo, avaliando padrões de sono, saúde mental e resultados escolares.

Benefícios concretos do início tardio

Com a flexibilidade, 95% dos alunos preferiram começar o dia mais tarde, levando a:

  • Acordar 38 minutos mais tarde pela manhã
  • Ganhar em média 45 minutos extras de sono por noite
  • Relatar melhor qualidade de sono e bem-estar geral

Além de dormir mais, os adolescentes experimentaram menos dificuldade para adormecer, mais disposição durante o dia e maior atenção nas aulas.

Impactos no aprendizado e na saúde mental

O estudo, publicado no Journal of Adolescent Health (2026), mostrou que os alunos apresentaram melhor desempenho em inglês e matemática após a mudança de horários. Dormir adequadamente não apenas ajuda o corpo, mas também melhora a capacidade cognitiva e reduz sintomas de fadiga e ansiedade.

A privação de sono afeta uma grande parte dos jovens. Segundo o Observatório Suíço de Saúde (2022), quase metade dos adolescentes entre 11 e 15 anos apresenta sinais de fadiga, tristeza, irritabilidade e dificuldade de concentração. Ajustar o início das aulas ao ritmo biológico natural é, portanto, uma estratégia eficaz para proteger a saúde física e mental e favorecer o aprendizado.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn