Brasil sai na frente e oferece novo remédio infantil contra malária no SUS

SUS inicia tratamento infantil inovador contra malária. (Foto: Fábio Miranda / Ministério da Saúde)
SUS inicia tratamento infantil inovador contra malária. (Foto: Fábio Miranda / Ministério da Saúde)

O combate à malária no Brasil ganhou um novo reforço terapêutico. O país passou a oferecer, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tafenoquina pediátrica de 50 mg, medicamento destinado a crianças que pesam entre 10 kg e 35 kg. Com essa iniciativa, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a disponibilizar essa formulação para o público infantil.

A medida representa um passo relevante na estratégia de controle da doença, especialmente porque as crianças respondem por cerca de metade dos casos de malária registrados no país. Além disso, o tratamento em dose única tende a melhorar significativamente a adesão terapêutica.

Um avanço importante no tratamento da malária infantil

A tafenoquina é indicada para o tratamento da malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% dos casos da doença no Brasil. Diferentemente do esquema tradicional, que pode exigir até duas semanas de medicação, a nova opção permite completar o tratamento com apenas uma dose.

Essa característica traz vantagens importantes. Em primeiro lugar, facilita o acompanhamento clínico em regiões remotas, onde o acesso contínuo aos serviços de saúde pode ser limitado. Além disso, reduz o risco de interrupção do tratamento, um problema relativamente comum em terapias prolongadas.

Entre os principais benefícios do novo medicamento estão:

  • administração em dose única, o que simplifica o tratamento
  • eliminação completa do parasita, reduzindo recaídas
  • maior adesão terapêutica, especialmente entre crianças

Contudo, o medicamento não é indicado para gestantes nem para mulheres em período de amamentação, seguindo recomendações de segurança clínica.

Distribuição começa por regiões de maior incidência

A introdução da tafenoquina pediátrica no SUS será realizada de forma gradual. Inicialmente, o Ministério da Saúde planeja distribuir mais de 126 mil comprimidos, com investimento aproximado de R$ 970 mil.

A estratégia prioriza áreas da Amazônia brasileira, onde a doença apresenta maior incidência. Entre os primeiros locais contemplados estão territórios atendidos pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).

Entre as regiões priorizadas estão:

  • Vale do Javari
  • DSEI Yanomami
  • Médio Rio Solimões e Afluentes
  • Alto Rio Negro
  • Rio Tapajós
  • Manaus

Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e adolescentes até 15 anos, o que justifica a prioridade na distribuição do medicamento.

Paralelamente, o Ministério da Saúde iniciou programas de capacitação para profissionais de saúde, começando com aproximadamente 250 profissionais que atuam em áreas indígenas.

Estratégia nacional para reduzir casos de malária

A incorporação da tafenoquina pediátrica ao SUS foi formalizada pela Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, após aprovação regulatória pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Essa iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações voltadas ao controle da doença no país. Entre as principais estratégias estão:

  • ampliação do diagnóstico rápido da malária
  • distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida
  • fortalecimento da vigilância epidemiológica
  • ampliação do acesso ao tratamento adequado

Os resultados recentes indicam avanços importantes. Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com queda de aproximadamente 15% em comparação com 2024. Além disso, houve redução de 30% nas infecções por Plasmodium falciparum, forma potencialmente mais grave da doença.

Impacto esperado na saúde pública

A expectativa é que a ampliação do acesso ao tratamento pediátrico contribua para reduzir significativamente a transmissão da malária, sobretudo em regiões vulneráveis da Amazônia.

Estimativas apontam que, com cobertura adequada, a estratégia poderá evitar até 20 mil casos da doença nos próximos anos. Dessa forma, a iniciativa reforça o papel do SUS como referência global em políticas públicas de saúde, especialmente no enfrentamento de doenças infecciosas em populações vulneráveis.

Ao combinar inovação terapêutica, prevenção e acesso universal, o país avança em direção ao objetivo de reduzir o impacto da malária na saúde pública brasileira.

Aviso: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação por profissional de saúde. Por: Rafaela Lucena, Farmacêutica (CRF-RJ:13912).

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn