A relação entre animais de estimação e saúde cerebral ganhou novo destaque após um estudo de longo prazo publicado na Scientific Reports (Adriana Rostekova et al., 30 de maio de 2025). A pesquisa analisou como a convivência com pets pode influenciar o declínio cognitivo em adultos mais velhos, trazendo evidências importantes sobre envelhecimento saudável.
O estudo acompanhou milhares de pessoas com 50 anos ou mais ao longo de 18 anos, avaliando funções como memória e capacidade de raciocínio. Os resultados indicam que a presença de determinados animais pode estar associada a um ritmo mais lento de perda cognitiva.
Como o estudo analisou cérebro e convivência com pets
Os pesquisadores utilizaram dados de múltiplas ondas do Estudo de Saúde e Aposentadoria na Europa (SHARE), permitindo observar mudanças cognitivas ao longo do tempo.
Foram avaliados dois principais domínios:
• Função executiva (planejamento, tomada de decisão e organização)
• Memória episódica (recordação de eventos e experiências)
Além disso, o estudo comparou diferentes tipos de animais de estimação e faixas etárias para entender se havia variações nos efeitos.
Cães e gatos se destacam na proteção cognitiva

Um dos achados mais relevantes foi a diferença entre espécies. A convivência com cães e gatos mostrou associação consistente com um declínio cognitivo mais lento.
Por outro lado, a posse de pássaros e peixes não apresentou o mesmo efeito protetor, sugerindo que nem todos os animais exercem influência semelhante sobre o cérebro.
Esse resultado reforça a hipótese de que fatores como interação social, rotina e estímulo emocional podem desempenhar papel importante.
Por que cães e gatos podem ajudar o cérebro?
Embora o estudo não estabeleça causalidade direta, algumas explicações ajudam a entender essa associação:
• Maior estímulo social diário
• Rotinas estruturadas de cuidado e responsabilidade
• Atividade física mais frequente (especialmente com cães)
• Redução de estresse e sensação de companhia
Esses fatores podem contribuir para manter o cérebro mais ativo e engajado ao longo dos anos.
Idade não mudou o efeito observado
Outro ponto importante da pesquisa é que a faixa etária não alterou significativamente os resultados. Tanto adultos mais jovens dentro do grupo estudado quanto os mais idosos apresentaram padrões semelhantes de associação entre pets e cognição.
Isso indica que o possível efeito protetor não depende exclusivamente da idade, mas sim da interação contínua com determinados tipos de animais.
Envelhecimento saudável vai além de genética
O estudo reforça uma visão cada vez mais aceita na ciência: o envelhecimento cerebral não depende apenas de fatores biológicos, mas também do estilo de vida.
Nesse contexto, a convivência com animais pode funcionar como um elemento complementar para estimular:
• Memória ativa
• Engajamento emocional
• Rotina diária estruturada
Como interpretar a relação entre pets e cognição
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ter um animal de estimação não deve ser visto como uma forma garantida de prevenção contra o declínio cognitivo.
Ainda assim, a evidência sugere que a convivência com cães e gatos pode estar associada a um envelhecimento cerebral mais lento, contribuindo para qualidade de vida na terceira idade.

