Preferir esses alimentos pode ajudar você a viver mais, diz pesquisa

Preferir certos alimentos pode aumentar a longevidade. (Fala Ciência via Gemini)
Preferir certos alimentos pode aumentar a longevidade. (Fala Ciência via Gemini)

A forma como você escolhe seus alimentos pode dizer muito mais sobre sua saúde do que você imagina. Um estudo recente publicado na revista científica Scientific Reports, conduzido por Eichner et al. (2026), trouxe uma descoberta surpreendente: suas preferências alimentares podem estar diretamente ligadas ao risco de mortalidade.

Mais do que apenas o que você come, o que você gosta de comer pode revelar padrões profundos de comportamento alimentar e, consequentemente, influenciar sua longevidade.

Preferências alimentares: um novo marcador de saúde

Tradicionalmente, pesquisas em nutrição utilizam questionários que avaliam o consumo alimentar. No entanto, esses métodos podem sofrer com falhas de memória ou respostas imprecisas.

Por outro lado, o estudo destaca que os questionários de preferências alimentares oferecem uma abordagem inovadora. Eles capturam a chamada memória afetiva, ou seja, o quanto uma pessoa gosta ou desgosta de determinados alimentos.

Isso importa porque:

  • As preferências tendem a ser mais estáveis ao longo do tempo
  • Elas refletem melhor os hábitos reais de consumo
  • Sofrem menos influência de fatores como esquecimento ou viés social

Os alimentos associados a maior longevidade

O que você gosta de comer influencia sua saúde. (Fala Ciência via Gemini)
O que você gosta de comer influencia sua saúde. (Fala Ciência via Gemini)

Os resultados foram consistentes e reveladores. Pessoas com maior preferência por certos alimentos apresentaram menor risco de morte por todas as causas.

Entre os principais destaques estão:

  • Vegetais ricos em fibras como brócolis, berinjela e aspargos
  • Temperos naturais como pimenta-do-reino
  • Alimentos integrais e naturais, incluindo abóbora e leguminosas
  • Azeite de oliva extravirgem, rico em compostos antioxidantes

Esses alimentos estão associados a benefícios como:

  • Redução da inflamação crônica
  • Melhora da sensibilidade à insulina
  • Apoio à saúde cardiovascular
  • Equilíbrio da microbiota intestinal

Segundo Eichner, esses padrões refletem dietas mais nutritivas e protetoras.

O outro lado: preferências que aumentam riscos

Refrigerantes aumentam riscos metabólicos e cardíacos. (Foto: Narong27 via Canva)
Refrigerantes aumentam riscos metabólicos e cardíacos. (Foto: Narong27 via Canva)

Por outro lado, o estudo também identificou alimentos ligados a um maior risco de mortalidade. O principal vilão foi claro:

  • Refrigerantes e bebidas açucaradas

Além disso, itens como:

  • Chá com açúcar
  • Leite integral
  • Cereais ultraprocessados

também mostraram associação negativa.

Esses alimentos costumam contribuir para:

  • Obesidade
  • Resistência à insulina
  • Inflamação sistêmica
  • Aumento do risco de doenças metabólicas

O estudo reforça evidências já conhecidas na literatura nutricional, mas com um diferencial: a preferência por esses alimentos já é um sinal de alerta, mesmo antes de analisar o consumo em si.

Isso muda a forma de avaliar a alimentação

Esse achado representa um avanço importante na nutrição. Em vez de focar apenas no consumo, agora é possível observar:

  • O comportamento alimentar profundo
  • As tendências de escolha ao longo da vida
  • E até identificar grupos de risco com mais precisão

Além disso, questionários de preferência são mais simples e podem ser aplicados em larga escala, inclusive em ferramentas digitais de saúde.

Impacto no dia a dia

Se suas preferências incluem mais alimentos naturais, ricos em fibras e nutrientes, isso pode ser um indicativo positivo para sua saúde futura.

Por outro lado, uma forte inclinação por alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas pode sinalizar a necessidade de ajustes.Pequenas mudanças no paladar, ao longo do tempo, podem gerar grandes impactos na longevidade.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn