Dormir bem sempre foi associado à saúde, mas um novo achado científico revela um detalhe ainda mais importante: a regularidade do horário de dormir pode ser decisiva para o coração. Mais do que apenas quantidade ou qualidade, o momento em que você vai para a cama todos os dias pode influenciar diretamente o risco de doenças cardiovasculares.
Um estudo conduzido por pesquisadores finlandeses e liderado por Laura Nauha, publicado na revista científica BMC Cardiovascular Disorders em 2026, analisou dados de mais de 3 mil adultos ao longo de quase uma década. Os resultados indicam que pequenas variações na rotina noturna podem ter impactos significativos na saúde do coração.
O erro silencioso que desregula o coração
O principal destaque do estudo está em um fator muitas vezes ignorado: ir dormir em horários diferentes todos os dias.
Os pesquisadores observaram que três aspectos do sono estão diretamente ligados ao risco cardiovascular:
- Horário de dormir
- Horário de acordar
- Ponto médio do sono (intervalo entre dormir e acordar)
Entre esses, o mais crítico foi a irregularidade no horário de dormir. Pessoas que não mantêm uma rotina consistente apresentaram maior risco de eventos graves, como infarto e AVC, especialmente quando dormiam menos de 8 horas por noite.
Isso acontece porque o corpo humano depende do chamado ritmo circadiano, um sistema biológico que regula funções essenciais como hormônios, pressão arterial e metabolismo. Quando esse ritmo é desorganizado, o organismo perde eficiência na recuperação durante o sono.
Por que variar o horário de dormir é tão prejudicial?

Ao contrário do que muitos pensam, não é apenas dormir pouco que prejudica a saúde. Dormir em horários inconsistentes também sobrecarrega o organismo.
Entre os principais efeitos dessa irregularidade estão:
- Desregulação hormonal
- Aumento do estresse crônico
- Alterações na pressão arterial
- Impacto negativo na recuperação cardiovascular
Além disso, fatores como excesso de trabalho, ansiedade e esgotamento contribuem tanto para a piora do sono quanto para o aumento do risco cardíaco, criando um ciclo prejudicial.
Dormir mais protege? O equilíbrio é essencial
O estudo também trouxe um dado interessante: dormir mais de 8 horas por noite mostrou efeito protetor para o coração, independentemente da regularidade.
No entanto, esse ponto exige cautela. Outros estudos já associaram o excesso de sono a problemas metabólicos, como diabetes tipo 2, o que reforça a necessidade de equilíbrio.
Ou seja, o ideal não é apenas dormir mais, mas sim manter uma rotina estável e consistente.
Dois erros antes de dormir que aumentam o risco
Com base nos achados, dois hábitos se destacam como os mais prejudiciais:
- Ir para a cama em horários diferentes todos os dias
- Não manter uma rotina regular de sono ao longo da semana
Curiosamente, o horário de acordar teve impacto menor na saúde do coração, indicando que o momento de dormir pode ser o principal regulador do ritmo biológico noturno.

