Terapia hormonal pode reduzir risco de Alzheimer, fraturas e doenças cardíacas

Terapia hormonal pode trazer benefícios à saúde. (Foto: Pixelshot via Canva)
Terapia hormonal pode trazer benefícios à saúde. (Foto: Pixelshot via Canva)

A terapia hormonal na menopausa é segura? Essa é uma das dúvidas mais comuns entre mulheres que enfrentam sintomas intensos nessa fase. Durante anos, a resposta parecia ser motivo de preocupação. No entanto, uma nova análise científica está mudando essa percepção.

Um estudo publicado na JAMA, conduzido por Martin A. Makary e colaboradores em novembro de 2025, revisou décadas de evidências e trouxe uma conclusão importante: a segurança da terapia hormonal depende principalmente do momento em que ela é iniciada e do perfil da paciente.

Por que a terapia hormonal ganhou fama de risco?

No início dos anos 2000, a Iniciativa de Saúde da Mulher (WHI) levantou alertas sobre possíveis riscos da reposição hormonal, incluindo:

  • Câncer de mama
  • Problemas cardiovasculares
  • Trombose
  • Declínio cognitivo

Essas descobertas tiveram grande impacto e fizeram com que muitas mulheres evitassem o tratamento, mesmo quando apresentavam sintomas significativos.

Porém, com o avanço das pesquisas, ficou claro que essa visão pode ter sido generalizada demais.

O que o novo estudo revela sobre a segurança

Segundo a análise publicada na JAMA (Makary et al., 2025), a terapia hormonal pode ser segura e até benéfica quando utilizada no momento adequado.

O ponto-chave é a chamada janela de oportunidade:

Iniciar a terapia antes dos 60 anos ou até 10 anos após o início da menopausa

Nessas condições, os dados mostram benefícios importantes:

  • Redução de até 50% em eventos cardiovasculares fatais
  • Diminuição de até 60% no risco de fraturas
  • Redução de 64% no declínio cognitivo
  • Queda de 35% no risco de Alzheimer

Ou seja, a resposta para a pergunta inicial não é simplesmente “sim” ou “não”. Depende de quando e para quem o tratamento é indicado.

O que mudou nas recomendações

Com base nessas novas evidências, houve uma atualização relevante na forma como a terapia hormonal é orientada.

Entre as principais mudanças:

  • Menos ênfase em alertas generalizados
  • Diferenciação entre terapias sistêmicas e locais
  • Informações de risco mais específicas para cada caso
  • Maior foco na avaliação individualizada

Além disso, deixou de existir uma regra única para todas as pacientes. A decisão agora deve considerar fatores como idade, sintomas e histórico de saúde.

Para quem a terapia hormonal pode ser indicada

A terapia hormonal continua sendo uma opção importante, especialmente para mulheres com sintomas que afetam a qualidade de vida, como:

  • Ondas de calor intensas
  • Suores noturnos
  • Alterações de humor
  • Dificuldade para dormir

Nesses casos, o tratamento pode trazer alívio significativo e, em alguns cenários, até benefícios adicionais para a saúde.

Afinal, é seguro ou não?

A resposta mais atual é clara: a terapia hormonal pode ser segura, desde que bem indicada e iniciada no momento certo.

A nova análise mostra que o risco não deve ser avaliado de forma isolada, mas sim dentro de um contexto mais amplo, considerando idade, tempo de menopausa e tipo de tratamento.

Por isso, a recomendação é sempre buscar orientação médica para uma avaliação individualizada. Em muitos casos, a terapia hormonal pode deixar de ser um motivo de medo e passar a ser uma aliada na saúde e no bem-estar.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn