A vacinação contra a dengue no RJ e em São Paulo marca um novo capítulo no enfrentamento das arboviroses no Brasil. Com a chegada da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, os dois estados iniciam uma estratégia que prioriza profissionais da Atenção Primária e reforça a proteção antes do período de maior circulação do vírus.
No Rio de Janeiro, os 92 municípios começaram a receber as primeiras remessas do imunizante. A aplicação inicial contempla trabalhadores do Sistema Único de Saúde que atuam diretamente no atendimento à população. A medida busca reduzir afastamentos por doença e manter a capacidade operacional das unidades básicas, sobretudo em um momento de atenção redobrada após o carnaval e durante o verão.
Até fevereiro de 2026, o estado registrou pouco mais de mil casos prováveis de dengue, além de ocorrências de chikungunya e ausência de zika confirmada. Embora o cenário seja considerado de rotina, fatores climáticos como calor intenso e chuvas frequentes favorecem a proliferação do Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão.
Estratégia integrada de proteção no Rio de Janeiro
A vacina Butantan-DV se destaca por ser dose única e por oferecer proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Essa característica representa avanço logístico relevante, pois simplifica campanhas em larga escala e aumenta a adesão. No Rio, os sorotipos 1 e 2 predominam, mas há preocupação com a possível reintrodução do tipo 3, ausente há anos e capaz de encontrar uma população mais vulnerável.
Paralelamente, o estado mantém a aplicação da Qdenga, disponibilizada pelo Ministério da Saúde desde 2023. Centenas de milhares de doses já foram aplicadas, especialmente em crianças e adolescentes. Assim, a combinação de diferentes estratégias amplia o escudo imunológico coletivo.
Além da vacinação, o reforço na vigilância epidemiológica em tempo real, a capacitação de profissionais e a ampliação da capacidade diagnóstica laboratorial fortalecem a resposta rápida a possíveis surtos.
São Paulo antecipa doses e amplia capacidade produtiva
Em São Paulo, o governo estadual antecipou a entrega de 1,3 milhão de doses da Butantan-DV ao Ministério da Saúde. A campanha começou pelos profissionais da Atenção Primária, seguindo lógica semelhante à adotada no Rio. O estado já contabiliza milhares de casos neste início de ano, após enfrentar números expressivos em 2025.
A vacina foi aprovada pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos. Estudos clínicos demonstraram eficácia robusta contra casos sintomáticos e formas graves, além de excelente perfil de segurança. A maioria das reações adversas relatadas foi leve e transitória.
O município de Botucatu participa de estratégia específica de monitoramento da vacinação, contribuindo para avaliação contínua de impacto epidemiológico. Ao mesmo tempo, investimentos estruturais ampliam a capacidade fabril do Butantan, consolidando o Brasil como referência regional em biotecnologia.
Prevenção continua sendo fundamental
Embora a vacinação represente avanço significativo, ela não substitui as medidas clássicas de controle vetorial. Recomenda-se que a população:
• Elimine água parada em recipientes e bandejas
• Mantenha caixas d’água vedadas
• Limpe calhas e ralos regularmente
• Coloque areia nos pratos de plantas
O ciclo do mosquito se acelera em ambientes quentes e úmidos. Portanto, a combinação entre imunização, vigilância e controle ambiental é essencial para evitar sobrecarga hospitalar e reduzir hospitalizações.
Com ações coordenadas entre estados e governo federal, o Brasil dá um passo estratégico no enfrentamento da dengue. A antecipação das campanhas em RJ e São Paulo demonstra que planejamento e inovação científica podem caminhar juntos para proteger a população antes do avanço sazonal da doença.

