Pesquisadores acham “fraqueza” do parasita da malária

Sem ARK1, parasita não consegue se dividir nem se multiplicar. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Sem ARK1, parasita não consegue se dividir nem se multiplicar. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

A malária continua sendo uma das doenças infecciosas mais perigosas do mundo, afetando milhões de pessoas a cada ano. Cientistas internacionais identificaram uma proteína crucial para a sobrevivência do parasita da malária, oferecendo uma pista promissora para futuras terapias que poderiam interromper seu ciclo de vida e prevenir a doença.

Proteína essencial controla divisão do parasita

O parasita que causa a malária, do gênero Plasmodium, se multiplica rapidamente dentro de humanos e mosquitos, mas seu modo de divisão celular é muito diferente das células humanas. Pesquisadores descobriram que uma proteína chamada ARK1 (cinase 1 relacionada com Aurora) atua como um “controlador de tráfego” dentro das células do parasita, organizando a divisão do material genético durante a replicação.

Sem essa proteína, o parasita não consegue completar a mitose corretamente, o que bloqueia seu crescimento e impede a transmissão entre hospedeiros. Em experimentos laboratoriais, a desativação da ARK1 interrompeu completamente o ciclo de vida do parasita, mostrando seu papel vital para a sobrevivência da malária (Nagar et al., Nature Communications, 2026).

Um alvo promissor para medicamentos

O mais interessante é que a ARK1 do parasita é estruturalmente muito diferente da proteína equivalente em células humanas. Essa diferença significa que os cientistas podem desenvolver medicamentos que atinjam apenas o parasita, reduzindo o risco de efeitos colaterais nos pacientes.

A descoberta abre caminho para terapias que poderiam interromper a propagação da doença ao bloquear o crescimento do parasita dentro de humanos ou mosquitos, oferecendo uma estratégia totalmente nova para combater a malária.

Colaboração internacional

O estudo foi resultado de uma colaboração entre universidades e institutos de pesquisa de vários países, incluindo a Universidade de Nottingham, o Instituto Nacional de Imunologia na Índia, a Universidade de Groningen e o Instituto Francis Crick. Os pesquisadores estudaram o ciclo de vida do parasita tanto em humanos quanto em mosquitos para entender como a ARK1 atua em diferentes hospedeiros.

Como a descoberta pode impactar a saúde global

  • Interrompe a divisão celular do parasita e impede sua multiplicação.
  • Pode orientar o desenvolvimento de medicamentos altamente específicos.
  • Ajuda a reduzir a transmissão da malária, protegendo comunidades em áreas endêmicas.
  • Oferece uma nova abordagem científica além de vacinas e tratamentos atuais.

Com a malária ainda sendo responsável por centenas de milhares de mortes por ano, encontrar “fraquezas” no parasita é um passo crucial. A identificação da ARK1 fornece um mapa detalhado para cientistas que buscam interromper a doença antes que ela se espalhe, criando esperança para novos tratamentos eficazes e seguros.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn